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Anvisa e Butantan esclarecem dúvidas sobre a suspensão dos testes da vacina Coronavac no Brasil

Na audiência pública desta sexta-feira (13), da comissão mista do Congresso Nacional de acompanhamento das medidas de combate à covid-19, o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, e o Diretor do Instituto Butantã, Dimas Tadeu Covas, prestaram esclarecimentos sobre a suspensão temporária dos estudos clínicos, em seres humanos, relacionados à vacina Coronavac.

Para o presidente do colegiado, senador Confúcio Moura (MDB-RO), embora já se tenha retomado os estudos com as pesquisas da vacina desenvolvida pela chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantã, a comissão resolveu, mesmo assim, ouvir a Anvisa e o Butantan, para que apresentassem informações sobre os assuntos que foram objetos da manifestação da mídia nacional, de congressistas, e sobre um desconforto causado nos governos estaduais, municipais, e na população em geral.

O diretor-presidente da Anvisa disse que ele pode ter sido mal-entendido. “Eu disse que foi rotina. Não foi rotina o desenvolvimento vacinal. A rotina nossa é, em caso de dúvida, interromper para esclarecer. A interrupção foi feita; os decisores, aquelas pessoas que decidem sobre isso – não sou eu, não é a Diretora Alessandra – tiveram as informações enviadas pelo Instituto Butantã, as informações emanadas pelo Comitê Internacional Independente, e esse fato está superado, o protocolo prossegue”, concluiu.

Dimas Covas, do Instituto Butantã, afirmou que a recente interrupção das pesquisas não teve nenhum efeito prático na condução dos estudos, os quais, segundo ele, foram retomados e prosseguem normalmente. Para ele, o estado atual do estudo clínico da Coronavac já tem mais de 10 mil voluntários imbuídos com mais de 18 mil vacinações já feitas no Brasil. Segundo ele, a Coronavac é uma vacina que tem uma incidência de reações adversas muito baixa, entre as menores que estão em uso, muito assemelhada à vacina da gripe”, afirmou.

Para o senador, o debate foi um ”tête à tête” entre a Anvisa, que é o órgão regulador, e o Butantã, instituto sério e consagrado. De acordo com o parlamentar, o povo brasileiro deve muito ao Butantã. “Nós todos já tomamos vacinas do Butantã. Pessoas que foram atacados por animais peçonhentos, todas tomaram soros, produzidos pelo Butantã. O Butantã é o berço da ciência brasileira, então a gente não pode desmerecer, de maneira nenhuma, um dos melhores institutos brasileiros na área de pesquisa, de vacinas, de medicamentos, na área imunobiológica”, lembrou.

Confúcio Moura assegurou que o mundo da vacina contra à covid-19 está apenas começando, e disse não saber ainda qual é a vacina ideal. “A vacina ideal pode demorar cinco, dez anos. A vacina que vai determinar uma capacidade de defesa nos organismos de longo prazo, e que seja barata, acessível aos governos pobres da América latina e da África. Não pode ter vacina só para rico, tem que ter vacina para pobres também”, afirmou.

O parlamentar disse que ao longo do tempo se chegará em uma vacina testada, que seja barata e que a capacidade de defesa, onde uma dose se resolverá ao longo da vida. “Nós não temos certeza ainda qual irá ficar. Bem-vindas todas elas, por isso todas as vacinas são importantes. Lá na frente nós vamos saber qual será a melhor. É como a gotinha da Sabin, da paralisia infantil, houve várias vacinas, e ficaram as gotinhas salvadoras”, resumiu.

Em Tempo
A audiência pública foi promovida em atendimento aos requerimentos nº 75, 76 e 77, de 2020, de autoria dos senadores Randolfe Rodrigues (Rede/AP), Rogério Carvalho (PT-SE), Confúcio Moura, subscritos pelos senadores Zenaide Maia (Pros-RN), Esperidião Amin (PP/SC), Izalci Lucas (PSDB-DF), e os deputados Felício Laterça (PSL-RJ) e General Peternelli (PSL-SP).

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