Cidades

Luizão do Trento foi quem deu “pontapé inicial” em esquema desbaratado pela PF na ‘operação reciclagem’. Mesmo afastado do cargo pela Justiça ele cobrou e recebeu propinas




Documentos de investigação da Polícia Federal, mostrando os detalhes do esquema de propinas que resultou na prisão de quatro prefeitos em Rondônia, revelam que o empresário Luiz Ademir Schock (PSDB), o “Luizão do Trento”, administrador do município de Rolim de Moura, deu o “pontapé” nos recebimentos ilegais.

De acordo com a PF, a primeira das cinco quantias em propina pagas ao tucano aconteceu em 27 de novembro de 2019. Ele condicionou a liberação dos empenhos da empresa do vilhenense Fausto Moura a uma “mensalidade”. Um dia após embolsar a primeira propina, ele liberou o pagamento da prefeitura, em sua gestão, a Fausto Moura, o delator que implodiu todo o esquema.

“A expressão de felicidade é visível”, diz o relatório da PF, acompanhado de imagens do prefeito rolimourense enchendo uma mochila com os maços de dinheiro entregues a ele dentro de um hotel, em Porto Velho, pelo empresário vilhenense.

Na sequência, Luizão recebe outras cinco “mensalidades”: a segunda acontece em 12 de favereiro de 2020, num hotel em Rolim de Moura, quando, após pegar a propina, ele aceita um jantar pago pelo empresário-delator; a segunda, paga em 03 de março, novamente é feita em um hotel na capital; a quarta acontece em outro hotel, em Cacoal.

Já a quinta remessa de propina paga ao prefeito de Rolim mostra que, mesmo sem poder político, ele continua mandando na prefeitura. Luizão teve seu mandato cassado pela Justiça Eleitoral, mas mesmo fora do cargo, exigiu e recebeu a propina, conforme narra a PF. Na sexta “mesada”, Luizão já havia voltado ao cargo.

Em um trecho de seu relatório, a PF lamenta que Luizão tenha sido autorizado pela justiça a reassumir seu posto e diz que, se o ministro que lhe concedeu a liminar soubesse o que estava acontecendo, a decisão talvez fosse outra.

Na casa de Luizão, alvo de buscas, a PF encontrou uma grande quantidade de dinheiro em espécie. Para azar dele, as notas já haviam sido sequenciadas e digitalizadas pela Federal, antes da entrega.

Fonte: Folha do Sul

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